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terça-feira, 13 de março de 2012

Estrutura do equipamento - funcionamento do motor de passo (II)


Motor de Passo Funcionando



motores de passo

Bem no tópico anterior vimos o motor de passo do scanner. Agora veremos como ele funciona.


Se você tiver curiosidade, indico um vídeo produzido por alunos da UNIVASF que explica de modo bem interessante, o funcionamento de um motor de passo, com bobinas, corrente elétrica e uma bússola.


Motor de passo, o que é? 
(trecho tirado daqui)


Um motor de passo por dentro é basicamente assim:
Um motor de passo é um tipo de motor que como o nome indica, roda em "passos", ou seja em ângulos certos (por norma, escrito no próprio motor).

Para fazer um passo, deve-se fazer passar bastante corrente pelas bobinas do motor, de modo a criar um campo magnético e a atrair um dos dentes do eixo.

Na figura, retirada daqui, temos em 1, 2, 3 e 4, solenóides (bobinas) nos quais se passa certa corrente elétrica, de forma que se cria um campo eletromagnético, o qual o atrai os dentes da peça contendo o solenóide em direção a engrenagem, de forma que quando cada solenóide for ativado, a cada passo, se tem o movimento da engrenagem para a direção do passo seguinte. Desta forma temos a seguinte configuração:


Este desenho é from Wikipedia (embora eu tenha alterado um pouco...)



  • Em I - O solenóide do topo (1) esta ativado, atraindo o dente superior do eixo.
  • Em II - O solenóide do topo (1) é desativado, e o solenóide da direita (2) é ativado, movendo o quarto dente mais próximo à direita. Isto resulta em uma rotação de 3.6°.
  • Em III - O solenóide inferior (3) é ativado; outra rotação de 3.6° ocorre
  • Em IV - O solenóide à esquerda (4) é ativado, rodando novamente o eixo em 3.6°. Quando o solenóide do topo (1) for ativado novemante, o eixo terá rodado em um dente de posição, como existem 25 dentes, serão necessários 100 passos para uma rotação completa.


O motor utilizado é o M35SP-7T (folha de dados do motor)da MITSUMI. 

Pela folha de dados:


Notamos que:
  • Possui 4 fases, sendo
    • 50 ohms/fase (entre 46,5 ohms e 53,5 ohms)
    • 7,5°/passo
  • Excitação de 2 em 2 fases - motor unipolar
OBS1: Para saber mais sobre os drivers e excitação das bobinas de indução, que definem se o motor é unipolar ou bipolar, acesse a aba de nosso blog: Espectrofotômetro: Componentes


Isso quer dizer que:

  • dos 5 fios que saem do motor de passo (pela ordem laranja, amarelo, marrom e preto, correspondendo às 2 bobinas):
    • 2 vão ficar com uma tensão mais elevada e 
    • 2 com uma mais baixa (neste caso a GND).
  • Além disso, mais 1 fio (vermelho) segue para alimentação externa (no caso, em geral 18V, mas podendo chegar a 24V)


Cabe colocar aqui que, pela folha de dados do motor, a indutância de suas bobinas é de 50R/fase, assim, para alimentá-lo com 18V temos que ter no mínimo 360mA/fase. Ou seja, para as 4 fases, ao todo, deveremos ter, ao mínimo, 1,4A (!!!!), que é uma intensidade de corrente bem elevada.



A corrente que deve passar pelo motor para acioná-lo de nenhum modo poderáser dada pelo Arduino (nele, a corrente é de 40mA por porta), de modo que para acionar o motor, é necessário aumentar o sinal de corrente que sai do Arduino e chega ao motor.


Mas como se faz isso? - CI's



É necessário usar o que chamamos de CI (circuito integrado, como o mostrado acima), um componente que associa diferentes transistores SMD em paralelo, de modo a permitir aumento de tensão, corrente, regular sinal, etc..., conforme a necessidade do projeto.

Neste caso, pode-se utilizar o que é chamado de ponte H (um conjunto de transistores associados de modo a não permitir correntes de fuga):


 
Ponte H (CI L293D) associado ao motor de passo, vista no programa Fritzing, (acima, à esquerda) e à direita imagem real do CI.



Ou um CI chamado ULN 2003A (datasheet aqui), que basicamente aumenta o sinal de corrente que sai do Arduino e vai chegar no motor, e ao quals e pode associar o sinal de tensão de 18V sem prejudicar o funcionamento do Arduino:

Ao centro, imagem do CI ULN2003A


O CI que utilizamos foi o ULN2003A, devido a questões financeiras e porque em termos de arranjo no experimento ocupa menos espaço e é mais fácil associar os fios. Na ligação com o motor fica mais ou menos assim:




No lado esquerdo da imagem acima, CI ULN2003A mostrado em detalhe, observa-se do lado esquerdo do CI, os cabos se ligam ao motor e do direito do CI ao Arduino nos pinos em que se deseja realizar o movimento, podendo variar também a velocidade do motor de passo. Para este teste (o da imagem) foi utilizado um diferente do Mitsumi do resultado final, mas com as mesmas especificações. Ao lado direito, imagem mostrando a ligação de um motor de passo ao CI e do CI ao Arduino.


Falando em associação dos fios entre motor e CI ULN2003A e entre CI e arduino, esta ordem de fios ocorre assim:



No caso do motor utilizado, a ordem dos fios é esta


Cor do fio
Motor de Passo – CI
CI – Arduino
Laranja
16
8
Amarelo
15
9
Marrom
14
10
Preto
13
11
Vermelho
9
---


Modos de Operação

Os modos de operação variam conforme a necessidade de uso do motor de passo. Por exemplo, no caso do experimento implementado, temos um Conversor de Frequência, associado a estrutura da cabeça de leitura do scanner, o qual deve varrer a extensão dos comprimentos de onda do espectro projetado pela rede de difração. (Veremos adiante sobre redes de difração, e indicamos que acesse a aba Teoria com Simuladores).
Para tanto, a velocidade do motor de passo deve ser baixa o suficiente para que ele trabalhe com precisão suficiente. Isso porquê, os números de passos que a cabeça de leitura do scanner desloca, deve resultar em um intervalo de distância baixo. Com isso, podemos fazer a coleta do comprimento de onda proporcionalmente precisa.


Sendo assim, nos testes e no resultado final usamos um Arduino MEGA, o CI ULN2003A, motor de passo Mitsumi M35SP-7.






Nas imagens acima, temos a montagem do motor associado ao ci e este ao arduino. Na imagem de baixo, detalhe do ci montado em um soquete de 8 16 pinos, e com cabos conectados.

Para o controle da ida e da volta da cabeça de leitura, basta fazer o motor gira no sentido anti-horário (frente), e a cabeça de leitura faz a ida, ou para o sentido horário (para trás), na qual a cabeça de leitura volta.

O programa para isso é bastante simples:

const int stepsPerRevolution = 50; // muda o ajuste de passo por revolução do motor
char leitura; //comando para o arduino associar a leitura do teclado
Stepper myStepper(stepsPerRevolution, 4,5,6,7);  // inicia a biblioteca do motor de
                                                                        //passo nos pinos 4 a 7, de modo que a 
                                                                        //função "stepsPerRevolution" dará o 
                                                                        //comando de cada uma das portas 
                                                                        //digitais associadas para o motor girar 
                                                                       //ou para o sentido anti-horário ou 
                                                                       //horário:
void setup() {
  myStepper.setSpeed(50);  // ajusta a velocidade de giro do motor para 50 rpm:
  Serial.begin(9600);  // inicia comunicação com a porta serial :
}
void loop() {
  leitura = Serial.read();
  // uma volta para trás:
   if(leitura == 't') {
      myStepper.step(stepsPerRevolution); //comando para acionar passos para trás
     Serial.println("clockwise = tras"); //imprime o comando "para trás"
        delay(5); //espera 5ms.
   }   
   if(leitura == 'f') {
     myStepper.step(-stepsPerRevolution); //comando para acionar os passos para frente
     Serial.println("anti-clockwise = frente"); // imprime o comando "para frente"
       delay(5); //espera 5ms.
   }
}

Como quero atingir uma velocidade baixa, tenho que manter o ajuste de velocidade em um número baixo, e posso utilizar um baixo tempo de espera, pois o motor de passo terá força para arrancar com esta velocidade.

Desta forma consigo manter velocidade baixa, sem sobrecarga do motor (deste que os fios estejam corretamente ligados, evitando superaquecimento, e retorno de corrente), e faço com que a cabeça de leitura se mova a passos curtos e consiga coletar mais informação.



Mais detalhes de como funciona um motor de passo, você encontra na aba Espectrofotômetro: Componentes




No próximo item veremos como é realizado o cálculo do comprimento de onda através do motor de passo


Início de tudo

Ah, mais um projeto se desenvolvendo...

Este blog se destina aos textos de referencias conceituais, teóricas, e resultados do projeto, além de descrições sobre funcionamento de cada componente do espectrofotômetro montado.

Aqui será postado informações úteis sobre o espectrofotômetro, seu funcionamento e uso; também, sobre como se pode automatizá-lo para adequação em um laboratório remoto, do qual estará disponível graças a equipe formada por alunos da Física e Ciências da Computação, PUC-SP. Este laboratório será utilizado não somente para o experimento aqui descrito, mas também para vários outros experimentos, desenvolvidos pelos próprios alunos componentes da equipe.

Todas as características referentes ao uso do laboratório remoto, suas aplicações e possibilidades estarão descritas nas páginas específicas, com explicações, vídeos e textos, creio, com uma linguagem de fácil assimilação.

Nas primeiras postagens serão destinadas atenções especiais ao funcionamento do espectrofotometro e breve descrição dos fenômenos físicos que ocorrem. Maiores informações estarão disponíveis nas páginas "Espectrofotômetro:O que é?" e "Espectrofotômetro: Componentes". A parte teóricas, com simulações, animações e textos, está disponível na página "Teoria com simuladores". E não somente isso, como, em paralelo, breves textos explicativos sobre o uso de laboratórios remotos, com links interessantes para o que vem sendo utilizado e realizado com experimentos de física, com acesso remoto, ao longo das universidades deste país (como o RExLab, da UFSC) e de outros lugares.

Como este blog também será uma parte do (meu) TCC, deve-se adequar a teoria com uma justificativa do porque se utilizar esta metodologia, com laboratório remoto. Portanto, também haverá uma página "Ensino com projetos", referente as implicações, benefícios e características do Estudo orientado com Projetos (como o espectrofotômetro, por exemplo, que atende usuários e alunos a lugares muito distantes, e com possibilidade de aprendizagem desde conteúdos teóricos, até um banco de dados, onde se é possível levantar caracterísitcas dos componentes de comprimentos de onda, levantamentos estatísticos, desvios, etc.)

E já que é um TCC, também serão colocados resultados do experimento (página "Resultados"), com um link para o endereço onde estará disponível a visualização do equipamento automatizado, desde a varredura do sensor (na ida e na volta), até movimentação da rede de difração; também estará disponível visualizações de gráficos, em tempo real, com os dados sendo repassados para um banco de dados com todas as medidas realizadas.

Finalmente, também serão colocadas as referências de textos, links, vídeos, figuras que aqui foram utilizadas (página "Referências e Conclusões")

BOM, já nos apresentamos, então, vamos ao que interessa: informações e desenvolvimentos do projeto!


Lá vamos nós!